
Assista a entrevista completa:
– Podemos marcar semana que vem? Uma funcionária minha vai sair de férias e tenho grandes eventos para acontecer…
Percebi logo que não estava diante apenas da renomada chef Ticiana Werner, referência em alta gastronomia, conhecida pelo buffet de frios de 12 metros ou pela cozinha italiana. Estava diante de uma dona de restaurante, uma gestora que vive a operação. Brinquei que o restaurante que leva seu nome, na Asa Sul, era sua segunda casa.
— Bem, se formos contar pela quantidade de horas que passo aqui, poderia chamar de minha primeira casa.
Ticiana é uma chef e empreendedora gaúcha. E o mais encantador ao conhecê-la é sua dualidade complementar. Entramos em um salão sofisticado, onde tudo — absolutamente todos os detalhes — é pensado para criar uma experiência gastronômica premium: do atendimento à decoração, passando pelos talentosos músicos cuidadosamente escolhidos.
O buffet imenso e tão apetitoso surpreende tanto quanto a elegância de uma chef de formação clássica, apreciadora da alta gastronomia. O Ticiana Werner Restaurante & Wine Bar produz seus próprios pães, massas e sobremesas. Tudo é feito na Casa.
Nesse contraponto, eu esperava que ela me contasse mais sobre seus próprios feitos, mas, generosamente, ela cita grandes referências femininas da gastronomia que fizeram parte da história de Brasília e destaca como esse apoio é forte e significativo na nossa capital. Com cuidado, fala sobre cada produtor local. Também me encanto com a qualidade e o carinho dos nossos vizinhos que produzem queijos, vinhos, mel, cafés e chás.
— Muitos deles conheci em feiras de São Paulo. Foi quando percebi que aqui em Brasília temos grandes produtores e precisamos valorizá-los.
Esse zelo, imagino eu, também vem de sua vivência no campo, na agricultura, lugar que sua família ocupava antes de se mudar para Brasília em busca de novas oportunidades de negócios.
Sem romantizar a gastronomia, Ticiana conta que seu grande ponto de virada foi quando entendeu que precisava alinhar a posição de chef à de gestora. E nesse ponto não poderíamos concordar mais: os processos são o que libertam a dona de restaurante. É o que permite que a mulher possa se cuidar, viajar, ter tempo para a família sem se sentir culpada, sem que o restaurante dependa 100% da presença dela ou deixe de funcionar em sua ausência. O respeito pelo negócio passa pelo respeito por si própria, pelo corpo, pela saúde física e mental.
Terminamos uma longa entrevista (devido a problemas técnicos de gravação) com uma verdadeira aula de hospitalidade. A anfitriã abriu um espumante e me serviu um queijo eleito o melhor queijo do mundo: o Morro Azul. Posso afirmar que o queijo, que lembra a textura de um brie e é naturalmente sem lactose, foi, sem dúvida, o melhor que já provei.
Saí de lá encantada e animada para marcar um jantar em breve no restaurante. Já em casa, quando me debruço no sofá, me deparo com uma foto nossa no perfil do restaurante. Generosa como é, ela encerra a legenda com a frase:
“Juntas somos sempre mais fortes. Quando mulheres se apoiam, o sucesso vira ingrediente principal.”